Warning: getimagesize(images/stories/priore/evangelodelladomenica/tentazioni.jpg): failed to open stream: No such file or directory in /home/monast59/public_html/plugins/content/multithumb/multithumb.php on line 1563

Warning: getimagesize(images/stories/priore/evangelodelladomenica/tentazioni.jpg): failed to open stream: No such file or directory in /home/monast59/public_html/plugins/content/multithumb/multithumb.php on line 1563

I Domingo da Quaresma

Multithumb found errors on this page:

There was a problem loading image 'images/stories/priore/evangelodelladomenica/tentazioni.jpg'
There was a problem loading image 'images/stories/priore/evangelodelladomenica/tentazioni.jpg'
DUCCIO DI BONINSEGNA, Tentações
DUCCIO DI BONINSEGNA, Tentações
13 Março 2011
Reflexões sobre as leituras
de
LUCIANO MANICARDI
As tentações de Jesús não são apenas tentações de milagres, do sagrado ou do poder (ou respectivamente a tentação económica, religiosa e política) mas muito mais do que isso

Ano A
Gen 2,7-9; 3,1-7; Sal 50; Rm 5,12-19; Mt 4,1-11

As leituras do ciclo quaresmal "A" estão ligadas ao catecumenato e à iniciação cristã que culmina com o baptismo dado na noite pascal. No primeiro domingo, a Adão que sucumbe à tentação (1ª leitura) contrapõe-se Jesús que a vence (evangelho) e oferece a cada cristão a possibilidade de fazer de cada queda, ocasião para conhecer a graça de Deus (2ª leitura).  

O binómio pecado-morte com que Paulo interpreta a queda primordial, presta-se a uma releitura a partir do livro dos Génesis. A tentação age dentro do homem a partir da palavra de Deus que lhe diz de poder comer tudo excepto uma coisa (cf. Gn. 2,16-17); caso contrário encontrará a morte. A tentação age no coração humano antes de mais como uma frustração (se sou privado de uma coisa, sou privado de tudo, Gn. 3,1). A proibição do único fruto, mais do que permitir/ ordenar que coma tudo o resto, atinge e fere a criatura que se vê atraída por aquilo que lhe é interdito.  E esta defende-se do poder do desejo com outras interdições que exacerbam a proibição divina -"não lhe deveis nem tocar" (Gn 3,3), especificando -“senão morrereis”(Gn 3,3). A morte já está presente no mundo, agindo na mente e no coração da criatura humana e produzindo medo. E são as próprias palavras -"Não morrereis de facto" que vencem a resistência da mulher e a empurram para a transgressão. Assim, o pecado vem da morte, mais do que o contrário. Ou, de forma mais precisa, o pecado vem do medo da morte. 

 O pecado aproveita-se do medo da morte. Nós pecamos e vencidos pela tentação abrimos caminho à posse, ao abuso, à acumulação, ao poder, ao consumo...mas o êxito desta sucessão é mortífero fazendo com que o homem se torne escravo daquilo que o venceu. O Novo Testamento afirma que "...também Ele partilhou a condição deles, a fim de destruir, pela sua morte, aquele que tinha o poder da morte, isto é, o diabo, e libertar aqueles que, por medo da morte, passavam toda a vida dominados pela escravidão." (cf. Heb 2,14-15).


 

Jesús atravessa as tentações, não as evita. Isto é, aceita pôr-se à prova; não projecta a imagem do inimigo sobre realidades externas, mas aceita que o poder da tentação se implante no seu íntimo, no seu coração. Apenas quem vence o poder de quem divide dentro de si mesmo, pode caçar os demónios dos outros. 

A vitória de Jesús é interior e espiritual. Ele vence recordando a Palavra de Deus. E a palavra recordada fá-lo percorrer o caminho do povo depois da saída do Egipto. As tentações (em Mateus) reproduzem o caminho de Israel nos quarenta anos de deserto remetendo (através das 3 citações do Deuteronómio na boca de Jesús) para 3 episódios fundamentais do Êxodo: o maná e as codornizes (cf. Ex. 16); Massá e Meribá (cf. Ex. 17,1-7); o bezerro de ouro (cf. Ex. 32). A memória da Palavra de Deus, a memoria Dei, é o que conduz Jesús à vitória. E a memoria Dei não é a simples recordação de frases bíblicas, mas o acontecimento espiritual que interioriza a presença de Deus no coração do Homem.

A tentações de Jesús não são apenas tentações de milagres, do sagrado ou do poder (ou respectivamente a tentação económica, religiosa e política) mas muito mais do que isso. Na primeira cena está presente também a tentação que nasce quando a nossa experiência da realidade é a experiência de um deserto, de dureza, de pedras; quando a realidade parece estéril, fecunda apenas de desilusões e incapaz de nutrir. Na segunda abre-se caminho à tentação que nasce quando se vai além das imagens idealizadas do sagrado e do religioso, quando as imagens consoladoras do divino se desfazem e o espaço de Deus se restringe cada vez mais. Na terceira cena abre-se a tentação consequente à ilusão do poder, da riqueza, da glória: quando estas realidades revelam a sua insanidade, no homem cultiva-se o cinismo, a desilusão e até o ressentimento. Jesús atravessa tudo isto e o que permanece é um corpo despojado, que na sua fé crua, recorda e repete a palavra de Deus. É assim no deserto, será assim na cruz (Mt 27,46).

LUCIANO MANICARDI

Comunidade de Bose
Eucaristia e Palavra
Textos para as celebrações eucarísticas - Ano A
© 2010 Vita e Pensiero