XXV domingo do Tempo Comum
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Reflexões sobre as leituras
de LUCIANO MANICARDI
Jesus não demoniza o dinheiro mas adverte do poder que ele exerce: o homem diviniza-o
22 setembro 2013
Reflexões sobre as leituras
de LUCIANO MANICARDI
Ano C
Am 8,4-7; Sal 112; 1Tm 2,1-8; Lc 16,1-13
Elemento comum às leituras é a denúncia do poder de sedução do dinheiro e da riqueza que leva Jesus a falar dele como de uma entidade divinizada (Mammona) que se opõe ao único e verdadeiro Deus (Evangelho) e que conduz o profeta Amós a desmascarar a obsessiva ganância de latifundiários e comerciantes que se mostram insensíveis ao sábado impondo um limite aos seus trabalhos (I leitura).
A ambiguidade do dinheiro e a sua capacidade de perverter o coração do homem aparece também na parábola em que Jesus apresenta como modelo o "administrador desonesto": modelo, obviamente, não pela sua desonestidade, mas porque, no momento em que é demitido, agiu com esperteza (cf. Lc 16,8). No coração desta página evangélica está a decisão radical a que o homem é chamado para entrar no Reino de Deus. Esta decisão exige qualidades que são exemplificadas no administrador que reagiu de forma decidida quando a sua má-gestão foi descoberta.
No momento de crise, o administrador demonstra "poder de encaixe", de aceitação da realidade, da nova situação que ele próprio criara (“Que farei, pois o meu senhor vai tirar-me a administração?": Lc 16,3);reconhece os seus limites, as suas incapacidades e impotências (“cavar não posso; de mendigar tenho vergonha”: Lc 16,3); reconhece decisões e escolhas, preparando o que se seguirá: ele age cumprindo gestos que lhe perspetivam um futuro: (cf. Lc 16,4-7). A exemplaridade deste homem corrupto não está, portanto, em agir sem escrúpulos, mas em discernir de forma realista a situação crítica em que se encontra e em saber reagir a essa mesma situação. Também para Jesus este é "um filho deste mundo" (Lc 16,8)! A questão de Jesus, no entanto, diz respeito aos filhos da luz: como é que não sabem discernir a hora, a proximidade do reino e reagir de imediato com gestos de conversão, essenciais à salvação?
Jesus não demoniza o dinheiro mas adverte do poder que ele exerce: o homem diviniza-o. “Mammona” é uma palavra com a raiz em ’aman que significa “crer”. O Evangelho denuncia a sedução do coração humano e a perversão da verdade do homem que o dinheiro pode exercitar. Podemos dizer que esse é o ídolo por excelência: no dinheiro “acredita-se”, o mercado nutre-se de "fé”. E nós descobrimos a nossa insipiência quando pensamos que aquele mero artefacto que é o dinheiro (é o homem que “cunha a moeda”) de meio se transforma em fim, de servo torna-se dono; acreditamos que o manipulamos mas é ele que nos manipula, mais, ele determina os nossos ritmos diários empurrando-nos para uma frenética corrida para acumular cada vez mais.
Por isso Jesus distingue entre “servir a Deus e servir o dinheiro”: “Nenhum servo pode … Não podeis” (Lc 16,13). Esta palavra permanece como uma espinha encravada para os cristãos e para as igrejas ricas numa sociedade opulenta. O Evangelho não dá receitas, mas a questão ressoa: a abundância de meios económicos e a força dos meios culturais não torna ilusória a sequela Christi? E não a torna também pouco credível?
Partilhar e dar aos pobres são formas cristãs de usar os bens, sugeridas no Evangelho: “É que os filhos deste mundo são mais sagazes que os filhos da luz, no trato com os seus semelhantes" (Lc 16,9). Ou seja: dai aos pobres, aos amigos de Deus, e esses, portadores do juízo escatológico (cf. Mt 25,31 ss.), poderão acolher-vos na morada eterna. O que não aconteceu ao rico que não mexeu um dedo por Lázaro: agora, depois da morte, com Lázaro no seio de Abraão, o rico está atormentado e os dois estão separados por um abismo intransponível (cf. Lc 16,19-31).
As palavras de Jesus sobre a fidelidade (cf. Lc 16,10-12) revelam que existe uma hierarquia de realidades com diferentes valores: há um “pouco” e há um “muito”, há uma riqueza material e há uma riqueza verdadeira, não quantificável e que consiste na verdade pessoal. Uma riqueza feita de humanidade, verdadeiro capital que Deus criador deu ao homem à imagem e semelhança d'Ele.
Reflexões sobre as leituras
de LUCIANO MANICARDI
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